segunda-feira, outubro 30, 2006

As mulheres, durante séculos, serviram de espelho aos homens por possuírem o poder mágico e delicioso de reflectirem uma imagem do homem duas vezes maior que o natural

Cartoons: Maitena
Frase: Virginia Woolf

Cinanima'06


Pois é, estamos perto de mais um Cinanima que irá decorrer de 6 a 12 de Novembro, e como é costume, o local é Espinho.
Este ano o Cinanima faz 30 anos, e por isso, o cartaz irá ser completo e de qualidade (algo que o Cinanima já nos habituou).
De destacar, na Segunda-Feira, dia 6, iremos ter a ante-estreia absoluta da primeira longa-metragem de animação portuguesa.
Irão decorrer três workshops, Animação em volumes, criação de cine-marionetas e ilustração.


Link do festival e programas em pdf.

- Site do festival

- Programa do festival

- Detalhe dos workshops

Não percam...

domingo, outubro 29, 2006

O Excesso de Vingança

O Excesso de Vingança

O duelo nasceu da convicção muito natural de que um homem não aguentaria injúrias de outro homem a não ser por fraqueza; mas porque a força do corpo podia dar às almas tímidas uma vantagem considerável sobre as almas fortes, para introduzir igualdade nos combates e dar-lhes por outro lado mais decência, os nossos pais imaginaram bater-se com armas mais mortíferas e mais iguais do que aquelas que tinham recebido da natureza; e pareceu-lhes que um combate em que se poderia tirar a vida de um só golpe teria certamente mais nobreza do que uma briga vil em que no máximo se poderia arranhar a cara do adversário e arrancar-lhe os cabelos com as mãos. Assim, vangloriaram-se de ter colocado nos seus usos mais elevação e mais elegância do que os romanos e os gregos que se batiam como os seus escravos. Achavam que aquele que não se vinga de uma afronta não tem coragem nem brio; não atinavam que a natureza, que nos inspira a vingança, podia, elevando-se ainda mais alto, inspirar-nos o perdão.
Esqueciam-se de que os homens são obrigados muitas vezes a sacrificar as suas paixões à razão. A natureza dizia mesmo, na verdade, às almas corajosas que era preciso vingar-se; mas ela não dizia que fosse sempre preciso lavar as menores ofensas no sangue humando, ou levar a vingança para além mesmo do seu sentimento. Mas, daquilo que a natureza não lhes diz, a opinião os persuadiu; a opinião ligou o último opróbrio às mais frívolas injúrias, a uma palavra, a um gesto, sofridos sem revide. Assim, o sentimento de vingança era-lhes inspirado pela natureza; mas o excesso de vingança e a necessidade absoluta de vingar-se foram obra da reflexão. Ora, quantos usos não existem hoje ainda aos quais honramos com o nome de polidez e que não passam de sentimentos da natureza levados pela opinião para além dos seus limites, contra todas as luzes da razão! Luc de Clapiers Vauvenargues, in 'Das Leis do Espírito'

sexta-feira, outubro 27, 2006

Porque hoje é Sexta.....

http://brandnewtalk.blogspot.com/2006/10/porque-hoje-sexta.html

Bom fim de Semana

Tenham consciência de vós...

"A má-fé é a mentira para si mesmo. Porém o facto de deixar de fazer uso dela leva o indivíduo à angústia porque ele não mente mais para si e toma consciência de que tudo que ocorre de bom ou mal na sua vida é culpa dele, portanto, não há ninguém responsável pelos acontecimentos da sua vida quer sejam eles bons ou maus.
Ao tomar consciência disto o homem sai do estado de má-fé e passa a estar em angústia pois, ele deixou de se enganar restando apenas a sua real situação. Esta passagem do estado de má-fé para a angústia é extremamente importante para que o sujeito possa ser livre." Sartre

quinta-feira, outubro 26, 2006

O direito ao contraditório

Segundo o Dicionário de Língua Portuguesa do Porto Editora, propaganda significa o “acto de propagar ou difundir uma ideia, opinião ou doutrina”.
3 Artigos publicados num blog, num curto espaço de tempo, que incidem sobre a mesma temática de cariz político, parecem-me, no mínimo, uma tentativa de difundir uma ideia.
Num blog que se quer plural e aberto, talvez devêssemos começar pelas mentalidades.
A definição de crítica, mais uma vez pelo mesmo dicionário, fala-nos de uma “apreciação do valor intelectual, estético, moral, de obras humanas”, pelo que me parece que todas as críticas sobre todas as “obras” sejam bem-vindas e saudáveis.
Lamento que a susceptibilidade a certos temas e críticas não permita uma discussão clara e objectiva dos assuntos, mas congratulo-me com o facto de um comentário ter trazido ao blog novos visitantes.
Aqui encerro este capítulo na esperança de que o pensamento continue invicto. O meu continua certamente.

Desafio

Aí vai um desafio para quem quiser tentar - um teste realizado num curso na American Air Lines.

Na frase abaixo deverão ser colocados 1 ponto e 2 vírgulas para que a frase tenha sentido.


Maria toma banho porque sua mãe disse ela pegue na toalha.


Solução? Sei mas só digo depois de receber respostas…

segunda-feira, outubro 23, 2006

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EDUARDO PRADO COELHO
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O FIO DO HORIZONTE
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O homem contradito
O fenómeno é conhecido: nenhum de nós é um ser inteiriço, feito de uma só cara, antes quebrar que torcer. Todas as pessoas têm atitudes diversas dentro de si e algumas contraditórias. Ainda há dias Júlio Machado Vaz explicava nas suas conversas da manhã, que um pedófilo pode ao mesmo tempo ser alguém que estabelece as maiores exigências de puritanismo no interior da sua própria casa. Sabemos também (leia-se Vasco Pratollini) que alguns lutadores políticos e sindicalistas, que são capazes de sair para a rua de peito aberto às balas da polícia, podem ser como chefes de família de um extremo autoritarismo. A causa da liberdade é uma ideia, pela qual se está disposto a morrer, mas o autoritarismo é uma prática há muito enraizada no quotidiano. Todo o homem é um ser contradito - mas uns mais conscientemente do que os outros.
Um exemplo extremo dessa inconsciência é Rui Rio. Aposto que ele acredita piamente nas sociedades livres e abertas, onde o Estado tem apenas uma função reguladora, porque tudo está entregue à roda cega do mercado. Aposto, e não me creio enganar. Ele é um "social-democrata" convicto, pelo menos daquela forma algo desfigurada que a "social-democracia" assumiu entre nós, dada a distorção generalizada dos nomes e realidades (não é, por exemplo, que o pensamento da direita pura e dura se situa no Centro Democrático e Social?).
Mas Rui Rio é ao mesmo tempo alguém que actua como governante em termos completamente diferentes. Neste caso, os seus métodos são tipicamente estalinistas, ou pelo menos específicos das sociedades de Leste, ditas "socialistas", mas que de socialistas tinham muito pouco; eram sobretudo modelos "soft" de práticas nostalgicamente estalinistas. Rui Rio estará sempre na primeira linha do combate a estas sociedades que sinceramente detesta. Mas procede como um Ceaucescu de meia tigela.
O que ele acaba de fazer com o Rivoli é exemplo disso. É verdade que Rui Rio odeia a cultura e isto porque não sendo culto acha que tais atributos lhe ficariam bem, e por isso odeia o que deseja. Mas isto é apenas uma alínea de toda uma concepção de política cultural. O seu (e meu) amigo Pacheco Pereira, num daqueles artigos em que uma pessoa deveria pintar a cara de preto, é capaz de dizer a seu favor que ele prefere tomar medidas sociais a culturais. É como se um Primeiro-Ministro se preocupasse apenas com a educação e não quisesse saber nem da agricultura, nem da saúde. Então isto agora é assim? Escolhe-se uma pista para o animal correr e nunca se sai dela?
Em relação aos ocupantes do Rivoli, cordatos, pacíficos, dialogantes, mas corajosos defensores de uma causa, Rui Rio utilizou toda a panóplia dos métodos estalinistas. Não deu a cara, mandou uns títeres em seu lugar, cortou a electricidade, cortou a água, só não cortou mais nada porque não pôde, e pelas seis da manhã, hora voluptuosa de todos os ditadores, enviou diversas polícias e, depois de um interrogatório, considerou os ocupantes como arguidos em processo crime. Melhor era difícil. Triste Rio aliterante. O seu mandato será sempre marcado por estas reacções insensatas que apenas sinalizam uma enorme frustração. Eles são "intelectuais", eu não. Por isso os odeio em geral, aos que escrevem em jornais em particular, e sobretudo odeio todos aqueles que neste processo ousaram demitir-se dos seus cargos na estrutura camarária. Mas terá sempre o apoio do Fernando Almeida, uma espécie de soldado desconhecido na cultura, e que por isso é de confiança. O homem contradiz-se.
Fonte: Público

Solidão ou sentir-se só?!

Todas as palavras que pairam no ar, saidas das cordas vocais de qualquer comunidade, são sempre expressas numa vertente positiva, mas na realidade, cada palavra invoca duas vertentes: a possível lógica convencional e a lógica oculta, que é desconhecida pelo homem comum, talvez por encarar um optimismo absurdo e ter os occipitais cobertos por uma névoa.
A solidão por exemplo, é explicada pelo ser humano através daquilo que lê no dicionario, o que o torna inutil e não querendo de maneira alguma ferir susceptibilidades, repreendo-o por não conseguir ver para além daquilo que está intitulado de horizonte psicovisual. A solidão é demasiado indescritível e inexplicável, só o homem comum que se auto nomeou como o animal mais inteligente , segundo ele diz, o sente de forma conveniente e plausível, o que o torna ainda mais inutil, face à sua pratica de exprimir uma palavra possivelmente desconhecida de forma breve e acessível.
A solidão além de inevitável, não pode ser profundamente negativa, pois para mim, é um facto vitorioso, define aquilo que eu sou em relação ao ser humano em geral que nunca há-de ser um animal superior enquanto nao compreender porque foi ele o escolhido para dominar este suposto mundo real.
É desnecessário falar de solidão face ao diferente raciocinar do homem que se contenta por ser um animal de sociedade imposta, mas se souberem o significado, ou pelo menos uma parte dele, entao partilho-vos a minha definição mais concreta e compreensivel em parte: Solidão? Prefiro sentir-me só.

quinta-feira, outubro 19, 2006

Serviço público em vez de lucro

Paulo Ribeiro, director do Teatro Viriato, em Viseu, diz que não "há palavras" para definir o que está acontecer no Teatro Rivoli, no Porto. Mas é com palavras que tenta manifestar a sua indignação. "É espantoso como uma cidade que foi, em 2001, Capital Europeia da Cultura, chega a este estado de aniquilamento e devastação". O criador acusa o actual Executivo camarário de liderar "um acto de terrorismo", deixando "o Porto mutilado", e fomentando o que diz ser "uma redundância" "Se a ideia é ter uma simples sala de espectáculos, o Coliseu já cumpre essa função".
Lamentando "a espécie de alergia que Rui Rio parece ter em relação ao pensamento e à criação", Paulo Ribeiro estabelece duas comparações a primeira com Lisboa, "que tem dois teatros municipais - S. Luiz e Maria Matos -, com uma programação intensa e de altíssima qualidade"; a segunda com o próprio teatro que dirige: "Temos 750 mil euros por ano, repartidos entre o Ministério da Cultura e a autarquia".
Neste contexto, como corrobora Victor Nogueira, do Teatro de Vila Real - o equipamento é gerido por uma empresa municipal constituída para esse efeito -, o Porto fica claramente em desvantagem em relação a outras cidades. "A Câmara está a cometer um erro estratégico muito grave. A principal função dos teatros municipais é assegurar uma filosofia de serviço público e não obter lucro. Ou deveremos exigir que a educação e a saúde sejam também rentáveis?", questiona.
Manuel Portela, do Teatro Académico Gil Vicente, em Coimbra, dá a resposta. "Se a programação for entregue à lógica de mercado, deixa de haver formação de novos públicos e experimentação artística e passa a haver meras salas de entretenimento". E acrescenta "A situação do Rivoli é muito semelhante à do teatro que dirijo: entre 1999 e 2005, a autarquia comparticipou 10% da programação; actualmente demitiu-se de qualquer apoio". Em Aveiro, Rui Sérgio, director artístico do Teatro da Trindade, só lamenta "que a ocupação do Rivoli seja tardia: não perde o mérito, mas perde o peso necessário para alterar a decisão de Rui Rio".
Fonte: Jornal de Notícias