Um Blog que percorre o domínio da especulação intelectual,difundindo a actividade cultural, moral e social do Porto XXI.
quinta-feira, janeiro 17, 2008
Emir Kusturica & The No Smoking Orchestra - Unza Unza Time
Será mais um espectáculo, onde certamente, quem for assistir não dará por perdido o seu tempo!
Este fabuloso momento musical e cultural será no dia 25 de Janeiro no Coliseu do Porto.
Atenção... a parte do The No Smoking Orchestra não é nenhuma piada... e mesmo assim... e eu até acho que eles fumam...
quarta-feira, janeiro 16, 2008
terça-feira, janeiro 15, 2008
"Can't help thinking about me" - e assim nasceu o génio...
Fez ontem, dia 14 de Janeiro, 42 anos que nasceu David Bowie.
Davy Jones, nome de baptismo, deixou de o ser porque, em 1966, já existia uma estrela com esse nome, era um dos “Monkees” grupo criado em 1965 pela rede americana NBC para rivalizar com os “Beatles”.
David Robert Haywood Jones, que nasceu a 8 de Janeiro de 1947, era um saxofonista que desde alguns anos se movia no meio musical londrino e apesar da, ainda, pouca popularidade que gozava na cena musical britânica já tinha passado como vocalista por bandas como os “King Bees”, dos “Mannish Boys” ou dos “Lower Third”, apesar da sua tenra idade (19 anos).
Uma das teorias para a escolha de Bowie para apelido artístico é que a adopção aparece do nome do fabricante da faca que se supõe ter cegado o seu olho esquerdo ainda na adolescência numa luta com um colega de escola, Daniel Ambooleg, pela disputa por uma namorada. No entanto a hipótese mais plausível para a paralisação de sua pupila esquerda foi ter sido protagonizado por um soco nessa briga e não por uma faca.
Quando estreou o apelido a 14 de Janeiro de 1966, com o single “Can't help thinking about me” era ainda um aprendiz, mas começa aqui a sua carreira a solo como compositor e intérprete. Nos anos seguintes aperfeiçoaria o seu talento e enquanto estudava artes dramáticas com o grupo de “Lindsay Kemp”, percorria as ruas de Londres como mimo e actor e editava singles e um álbum, “David Bowie”, sem sucesso assinalável.
Em 1968, sua canção "Space oddity" ficou entre as cinco primeiras da Inglaterra. Mas o sucesso internacional viria apenas em 1972 com seu álbum “The rise and fall of Ziggy Stardust and the spiders from Mars”, acompanhado por “Mick Ronson” (guitarra). É também nessa época que começariam as suas apresentações exuberantes, com uma nova performance, interpretações de figurinos e maquiagem é quando se anuncia o génio DAVID BOWIE.
segunda-feira, janeiro 14, 2008
you'll never be alone again...
sábado, janeiro 12, 2008
Blur...
Tal com Tom Smith, vocalista dos Editor referiu, "ainda hoje gosto de blur"... isto é o que se pode pedir de uma música... intemporalidade... Agora que vivemos na era dos "mega hits" de verão, como são os exemplos do Bob ou do Yves, mas que daqui a 2 anos já ninguém as consegue ouvir (eu não aguento esses 2 anos... já não suporto o estilo).
Deixo-vos aqui, um grande exemplo disso... Music is my Radar, um tema com quase 10 anos e com um som sempre actual...
sexta-feira, janeiro 11, 2008
A lei anti-tabaco na UE!
Alemanha Uma legislação anti-tabaco moderada : Devido a novas legislações em 2002 nas limitações ao direito de fumar nos locais de trabalho. Os patrões devem seguir umas medidas para proteger os seus empregados contra os riscos do tabagismo passivo.
Uma legislação anti-tabaco parcial nos restaurantes : Em Dezembro 2004, a proibição de fumar estendeu-se em todos os locais públicos (nas administrações, estabelecimentos escolares, cinemas, aeroportos, estações ferroviárias...).
Excepções : os locais de trabalho, os restaurantes e os cafés. No entanto, os profissionais da hotelaria comprometem-se a optimizar o espaço reservado para os não fumadores antes do dia 31/12/2006.
Uma legislação anti-tabaco progressiva : Desde 1991, é proibido fumar em certos “locais fechados e acessíveis ao público”, nos quais os cafés e os restaurantes com mais de 50m2. Desde o dia 1 de Janeiro 2006, é proibido fumar nos locais de trabalho. Em 2007, os espaços «fumadores» nos restaurantes deverão estar isolados onde qualquer consumo de bebida ou alimento será proibida.
Uma legislação anti-tabaco parcial : Desde 2002, é proibido fumar nos locais públicos e parcialmente nos restaurantes e nos cafés.
Uma legislação anti-tabaco parcial mas progressiva : A partir o dia 1 de Abril 2007, os espaços com mais de 100m2 serão não fumadores, mas é possível separar fisicamente das restantes instalações...
Uma legislação anti-tabaco total !
Desde o dia 1 de Janeiro 2006, é proibido fumar em todos os locais públicos e nos locais de trabalho.
Contra-ordenações : Coima de 30 a 600 000 Euros
Uma legislação anti-tabaco prevista para 2007 : A partir de 2007, espaços fumadores totalmente herméticos poderão ser adaptados.
Uma legislação anti-tabaco prevista para 2007 : A partir de 2007, espaços fumadores totalmente herméticos poderão ser adaptados.
Desde o dia 1 de Fevereiro 2007, será proibido fumar em todos os locais públicos.
Desde o dia 1 de Janeiro 2008, a lei aplica-se para os casinos, bares, quiosques de tabaco, discotecas, hotéis, restaurantes.
Contra-ordenações : Coima de 58 a 450 euros para o fumador. Até 1500 euros para o dono do estabelecimento.
Lei anti-tabaco mas não aplicada : Desde 2003, é proibido fumar em todos os locais públicos e nos locais de trabalho mas a lei não é aplicada.
Uma legislação anti-tabaco parcial : Desde de Maio 2004, um espaço fumadores e não fumadores é obrigatório em todos os bares e restaurantes.
Uma legislação anti-tabaco total : Desde o dia 24 de março 2004, é proibido fumar em todos os locais de trabalho ( igualmente nos bares e restaurantes).
Uma legislação anti-tabaco total : Desde o dia 1 de Janeiro 2005, é proibido fumar em todos os locais públicos e locais de trabalho.
Contra-ordenações : Coima até 2200 euros para os proprietários dos estabelecimentos. De 27.50 a 275 euros para os fumadores.
Uma legislação anti-tabaco total nos locais públicos : Desde 2002, é proibido fumar nos locais públicos. Espaços fumadores estão equipados nos restaurantes e nos cafés.
Uma legislação anti-tabaco a partir de 2007 : A partir de 2007, será proibido fumar em todos os locais públicos e nos locais de trabalho.
Uma legislação anti-tabaco parcial desde Setembro 2006.
Uma legislação anti-tabaco total : É proibido fumar em todos os locais públicos e nos locais de trabalho.
Uma legislação anti-tabaco parcial: É proibido fumar em todos os locais públicos e nos locais de trabalho e desde o dia 1 de Junho 2004, a proibição estendeu-se nos locais onde se servem produtos alimentares ou bebidas.
Uma legislação anti-tabaco parcial: É proibido fumar em todos os locais de trabalho desde o dia 1 de Janeiro 2004.
Excepções : Os restaurantes e os cafés abertos ao público. No entanto, os profissionais da hotelaria obtiveram uma derrogação para moderar o consumo nos seus estabelecimentos.
Uma legislação anti-tabaco parcial : É proibido fumar nos estabelecimentos públicos, cafés e restaurantes salvo nas zonas fumadores.
Uma legislação anti-tabaco parcial nos bares e nos restaurantes.
Uma legislação anti-tabaco total desde 2007: Desde o dia 14 de Fevereiro 2006, uma lei foi adoptada relativamente a proibição de fumar nos locais públicos ( nos bares, nos restaurantes e nos clubs privados) mas igualmente nos escritórios e nas oficinas ; ela entrará em vigor em 2007 (Inglaterra : meio 2007 ; Escócia : a partir de Março 2006 ; Irlanda do Norte : a partir de Abril 2007. Não existe regulamentação nos País de Gales.) Contra-ordenações : Coima de 291 a 3643 Euros.
Uma legislação anti-tabaco parcial : É proibido fumar nos estabelecimentos públicos, cafés e restaurantes.
Uma legislação anti-tabaco parcial : Uma legislação anti-tabaco nos estabelecimentos públicos.
Uma legislação anti-tabaco total : Desde o dia 1 de Junho 2005, é proibido fumar nos locais públicos ( hospitais, estabelecimentos escolares, bares, cafés, restaurantes. )
quinta-feira, janeiro 10, 2008
2008: ano do terror por Miguel Sousa Tavares
Com a entrada em vigor da famigerada Lei 37/07 - a lei antitabagismo -, passa a vigorar entre nós uma lei do terror e o país reencontra-se com a sua velha vocação de proibicionismo, delação e repressão dos direitos individuais. Tudo para perseguir um vício que, note-se, é, todavia, legal e fomentado pelo próprio Estado. O Estado financia, com dinheiros europeus, o cultivo de tabaco; o Estado produz e comercializa cigarros, em regime de quase monopólio, através da empresa pública Tabaqueira; o Estado taxa, de seguida, a venda de cigarros (que ele próprio promove), constituindo essa uma das suas principais fontes de receita. E, no fim do processo, o mesmo Estado, movido pela nobre intenção de defender a saúde pública, decreta que quem fuma deve ser perseguido, denunciado e multado em todo o lado. Qualquer "dealer" de drogas duras tem mais credibilidade moral do que o Estado português. Nem os "dealers" de heroína perseguem os clientes nem o Governo da Arábia Saudita promove a venda de álcool aos fiéis a quem proíbe beber.
Tardámos, mas, nestas coisas do politicamente correcto, quando avançamos é a matar. Sobretudo se tudo o que se exige aos governos é que proíbam e multem. Nenhum país do mundo (excepção feita aos Estados Unidos, em alguns Estados) foi tão longe em matéria de perseguição aos fumadores - mas também se compreende, visto que eles são os maiores produtores mundiais de tabaco e, se o proibissem, levariam à ruína e ao desemprego milhões de agricultores e trabalhadores das tabaqueiras. Neste campo, quanto maior é a culpa maior é a hipocrisia.
Ao abrigo da Lei 37/07, nenhum trabalhador, mesmo que a sós no seu gabinete de trabalho e sem contacto com outros, vai poder fumar; o engenheiro José Sócrates vai ter de ir fumar para os jardins de São Bento, porque lá dentro está num edifício de um órgão de soberania; um velhinho, internado para morrer num lar e cujo derradeiro prazer seja o cigarro, não o vai poder fumar porque chamam a polícia; um preso pode pedir uma seringa nova numa prisão para injectar droga, mas não vai poder fumar, excepto no recreio ao ar livre; em locais como a Feira da Golegã, a Fatacil, a Ovibeja ou a Feira da Ladra, mesmo ao ar livre, não se vai poder fumar, porque são recintos de feira; nas praças de touros não se vai poder fumar, porque são recintos de espectáculos; o faroleiro do Bugio ou o guarda-linha da CP, mesmo na solidão absoluta das suas moradas, não vão poder fumar, porque estão em instalações do Estado; pela mesma razão, nem sequer o embaixador vai poder fumar, nas várias embaixadas de Portugal espalhadas pelo Mundo; não se vai poder fumar nos quartéis, nos navios da Armada, nas estações e gares de comboios e barcos, nos aeroportos, em todos os ministérios e repartições públicas, nos hospitais e centros de saúde, nas Pousadas de Portugal e em todos os hotéis que o decidam, em todos os espectáculos, excepto nas zonas ao ar livre dos estádios de futebol (à excepção do camarote presidencial do Benfica e do FC Porto). Mas, resumindo: como não se pode fumar em nenhum local de trabalho nem de atendimento ao público, as quarenta e tal proibições da Lei 37/07 tornam-se inúteis e, com um legislador menos incapaz, ter-se-iam reduzido a uma simples formulação: é proibido fumar em todo o lado, excepto ao ar livre e dentro do transporte individual ou da casa de cada um. Ressalvando, todavia, que, mesmo ao ar livre, há casos de proibição na lei e que, mesmo em casa de cada um, nada exclui que, tal como previsto na lei, "por determinação da gerência" do condomínio, se possa proibir o fumo em todo o prédio.
Só alguém com sérios problemas mentais poderia ter feito esta lei. E só uma Assembleia de deputados incompetentes e sem coragem nem vontade própria a poderia ter aprovado. É uma lei à medida de um país de polícias e de eunucos. Chamada a resolver uma situação em que se tratava de proteger os não-fumadores do fumo passivo, obrigando à criação de áreas específicas para fumadores, o legislador não esteve com meias medidas e quis lá saber se os fumadores tinham ou não alguns direitos também. A regra foi proibir quase sempre e em todo o lado e, quando misericordiosamente entreabriu algumas portas (como no caso dos bares e restaurantes), determinou tamanhas exigências técnicas que a tradicional lei do menor esforço e a falta de profissionalismo em vigor no sector se encarregaram de chegar à solução mais fácil: que vão fumar para a rua e é enquanto podem.
Já andam para aí alguns zelotas preocupados em que a lei possa não ser cumprida em todo o seu rigor. E alguns descendentes mentais dos antigos 'bufos' da PIDE já se encarregaram de telefonar à polícia a denunciar fumadores. E a polícia lá acorreu, pressurosa, para reprimir à nascença a difusão deste odioso crime - que é o único não previsto no Código Penal e fomentado pelo Estado.
E lá, do seu pedestal onde figura como Torquemada ou Elliot Ness da Reboleira, de crachá pendente do cinto das calças e ar ameaçador (vide revista 'Tabu' do último sábado), já afia o dente António Nunes, o presidente dessa nova polícia chamada ASAE, cujos agentes se apresentam de camuflado negro e em estilo de brigada antiterrorista para inspeccionar restaurantes e cafés do país e agora mobilizada para o combate a este novo crime.
A lei, aliás, parece feita de encomenda para o senhor da ASAE. O homem que promete acabar de vez com as bolas de Berlim nas praias, os pastéis de bacalhau nas tascas e os doces de fabrico caseiro nos cafés, que jura guerra às colheres de pau nas cozinhas e que promove um mundo totalmente plastificado - colheres, copos, luvas, embalagens para tudo - e que suspira filosoficamente que a "dura lex, sed lex" o vai obrigar a fechar metade dos restaurantes do país, não podia ser mais adequado a esta nobre tarefa de perseguir os fumadores em todas as feiras, chafaricas e recantos do país profundo. (Na Irlanda - esse país que ainda há poucos anos perseguia os 'infiéis' não-católicos como emissários do demónio -, a perseguição aos fumadores desencadeada pela ASAE local levou já ao fecho de 11 mil "pubs" de província, de acordo com o lema "acabamos com os fumadores nem que tenhamos de acabar com a vida no interior!") Um bom exemplo para Portugal.
Sosseguem, pois, os "ayatollahs" de serviço por aqui: temos a ASAE e o seu exército de camisas negras com as narinas devidamente treinadas para cheirar qualquer resquício de fumo a léguas de distância. E temos os eternos 'bufos' disponíveis para denunciar nem que seja o velhote que há anos se senta na mesma mesa da tasca do bairro para jogar dominó com os amigos e acender um cigarro para queimar o frio e a tristeza. A tristeza por viver num país onde se respeita tão pouco a liberdade dos outros.