ROMA (Reuters) - O órgão italiano que protege a privacidade suspendeu na terça-feira a transmissão de um programa de TV satírico que constatou amplo consumo de drogas entre políticos. Mas a decisão apenas agravou a tempestade criada pelo anúncio do programa.
O programa Le Iene anunciou na segunda-feira que fez exames secretos com 50 deputados e constatou que quase um terço deles tinham consumido drogas nas 36 horas anteriores, sendo que 12 apresentaram resultado positivo para maconha e quatro para cocaína.
A façanha mais recente do Le Iene (As Hienas), programa conhecido por realizar apanhados que causam constrangimento a figuras públicas, ocupou as primeiras páginas da maioria dos jornais italianos na terça-feira. As reações dos políticos variaram da satisfação à revolta.
Um repórter do programa se fez passar por entrevistador de um programa de televisão satélite inexistente e procurou os deputados para ouvir suas opiniões sobre o orçamento provisório para 2007. Entre uma tomada e outra, um falso maquiador enxugou suas testas. As células coletadas pelas toalhas do "maquiador" foram submetidas a exames para a detecção de drogas.
O programa Le Iene vai ao ar na emissora Italia Uno, um dos três canais nacionais pertencente à Mediaset, empresa controlada pela família do ex-primeiro-ministro Silvio Berlusconi.
A decisão tomada pelo órgão protetor da privacidade de impedir a transmissão do programa, que estava previsto para ir ao ar na noite de terça-feira, foi tomada porque o material para os exames foi colhido de maneira secreta e ilícita.
Vários dos 50 deputados testados apelaram para que o programa fosse ao ar, e a deputada de direita do Parlamento Europeu Alessandra Mussolini, neta do ditador da 2a Guerra Mundial Benito Mussolini, disse que a decisão de suspender o programa mostra que a Itália é governada por um "regime" não liberal.
"A censura a uma investigação jornalística é um episódio grave que vou levar ao Parlamento Europeu. É uma vergonha", disse ela.
Ítalo Bocchino, da conservadora Aliança Nacional, que na segunda-feira tinha ameaçado processar os responsáveis pelo programa, disse que, em vista da reação pública, os exames de drogas devem ser feitos com todos os deputados e senadores.
"Desse modo os eleitores saberão se os representantes nacionais são pessoas que infringem suas leis relativas aos entorpecentes", disse ele. A AN, que é a oposição de centro-direita de Berlusconi, faz campanha pela proibição total do consumo de drogas.
Grupos de pressão liberais disseram que o Le Iene trouxe à tona a hipocrisia que cerca as leis italianas rígidas relativas às drogas. Essa postura é endossada também pelo ministro do Meio Ambiente e líder do Partido Verde, Alfonso Pecoraro Scanio.
"Foram aprovadas leis absurdas que castigam jovens por fumar um cigarro de maconha, e então descobrimos que há pessoas nos mais altos cargos políticos que consomem cocaína em excesso", disse ele.
1 comentário:
Agora aqui está um tema, polémico, tabu, e que jamais estará na moda, daqui deduzo que ainda ninguém tenha tido interesse em comentar.
Involve muitas e polémicas ideias ou conceitos sobre tal, tipo teoria, pois cá vai, sem medo da censura blogueana:
Censura e sendo em Itália não é de admirar, mas mais do que isso é ver que em tão importantes cargos politicos, tais como, a coordenação das policias, a coordenação de todo o tipo de estratégias de prevenção, os controlos dos portos e aeroportos, o controlo sobre o que acontece a toda a droga que é apreendida, a implentação das medidas contra a droga, o controlo das mesmas, etc.
Todos estes e muitos outros factores adjacentes a noticia são decididos na assembleia por eventuais consumidores e se para qualquer comum mortal ser drogado tem uma conotação extremamente negativa(roubo, vicio extremo e afins) o que dizermos de algo a este nivel, as teoria que mesmo o programa sendo censurado podemos criar, são vastas e em certa medida válidas.
Mas claro é um caso politico, envolve politicos, e toca na imagem da politica, logo o caso nunca saira da simples noticia da censura de um programa.
"Foram aprovadas leis absurdas que castigam jovens por fumar um cigarro de maconha, e então descobrimos que há pessoas nos mais altos cargos políticos que consomem cocaína em excesso"
Acabe-se com a tolice de que quem fala sobre drogas ou é ou já foi consumidor, que quem defende a liberalização tem que ser drogado, que quem defende salas de chuto tem que ser drogado.
"O fruto proibido é o mais apetecido, o impossivel seduz"
Acabe se com os consumos, no minimo diminuam-se os consumos, mas para tal não é escondendo, falando como medo, medo por vezes de ter opinião interpretção, ou comentário se fica logo conotado com o facto de ser drogado.
A droga podia reduzir muito no nosso pais, a degradação por ela induzida também, basta as pessoas quererem eu sei mts pontos de venda, como eu a policia tb sabe, mas o que é facto é que eles continuam sempre la, porque....
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